Guia prático para interpretar códigos de contaminação em fluidos hidráulicos
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Por que a contaminação particulada importa
Partículas sólidas podem acelerar desgaste, bloquear folgas, aumentar o atrito, danificar superfícies e reduzir a confiabilidade de componentes hidráulicos. O impacto depende do tamanho e da quantidade das partículas, da sensibilidade do componente, da pressão, da velocidade, do fluido e do regime de operação.
Em vez de olhar apenas para o aspecto visual do óleo, a equipe de manutenção deve acompanhar dados de contagem de partículas e outros indicadores de condição. Um fluido pode parecer limpo e ainda conter partículas pequenas em concentração suficiente para afetar válvulas, bombas, servoválvulas e componentes de alta precisão.
O código de limpeza é um indicador, não um diagnóstico completo
Um código de limpeza resume uma faixa de contaminação. Ele é útil para acompanhar tendência, comparar amostras e verificar uma meta. Porém, o código não informa sozinho a origem das partículas, o mecanismo de desgaste ou a causa raiz da contaminação.
Para uma decisão robusta, combine o código com histórico de amostragem, análise do fluido, inspeção do sistema, condição do filtro, entrada de contaminantes, intervenções recentes e requisitos do OEM.
ISO 4406: o código de três números
O que significa uma indicação como 18/16/13
A ISO 4406 representa a limpeza do fluido com três números. Eles correspondem às contagens cumulativas de partículas maiores que 4 µm, 6 µm e 14 µm, nessa ordem. A unidade normalmente usada é partículas por mililitro.
Assim, em uma indicação ISO 18/16/13, o primeiro número representa a faixa de partículas maiores que 4 µm, o segundo representa a faixa maior que 6 µm e o terceiro representa a faixa maior que 14 µm. Quanto menor o número, menor é a faixa de partículas permitida naquela classe.
A contagem é cumulativa. Isso significa que “maiores que 4 µm” não equivale a “entre 4 e 6 µm”. A primeira categoria inclui as partículas contadas acima de 4 µm, inclusive as que também aparecem nas categorias acima de 6 µm e acima de 14 µm.
Como ler as faixas ISO 4406
A tabela abaixo resume faixas de contagem por mililitro para os códigos ISO mais usados na comunicação industrial. Os limites devem ser conferidos na edição aplicável da norma e no procedimento do laboratório.
| Código ISO | Contagem maior que o limite inferior | Até o limite superior, por mL |
| 10 | 5 | 10 |
| 11 | 10 | 20 |
| 12 | 20 | 40 |
| 13 | 40 | 80 |
| 14 | 80 | 160 |
| 15 | 160 | 320 |
| 16 | 320 | 640 |
| 17 | 640 | 1.300 |
| 18 | 1.300 | 2.500 |
| 19 | 2.500 | 5.000 |
| 20 | 5.000 | 10.000 |
| 21 | 10.000 | 20.000 |
| 22 | 20.000 | 40.000 |
| 23 | 40.000 | 80.000 |
| 24 | 80.000 | 160.000 |
A lógica das classes é aproximadamente geométrica: ao avançar uma classe, a faixa de partículas se aproxima do dobro. Por isso, uma pequena alteração no código pode representar uma mudança relevante na concentração de partículas.
Exemplo de interpretação
Considere um relatório com ISO 15/14/12. Em uma leitura orientativa, isso indica aproximadamente 160–320 partículas por mL acima de 4 µm, 80–160 partículas por mL acima de 6 µm e 20–40 partículas por mL acima de 14 µm.
Esse resultado não revela sozinho se a contaminação veio do reservatório, do ambiente, de uma intervenção, do desgaste interno ou de uma amostragem inadequada. A tendência ao longo do tempo e os dados brutos são essenciais para interpretar o resultado.
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