Planilha de conversão ISO 4406, NAS 1638 e SAE AS4059

Guia prático para interpretar códigos de contaminação em fluidos hidráulicos

Material técnico da POC Filtros para equipes de manutenção, engenharia, confiabilidade, compras técnicas e gestão de ativos.

Como usar esta planilha

Esta planilha de conversão ISO 4406 foi criada para ajudar profissionais a comparar, com cautela, três formas conhecidas de comunicar a limpeza de fluidos: ISO 4406, NAS 1638 e SAE AS4059. O objetivo é facilitar a leitura de especificações, relatórios laboratoriais e requisitos de fornecedores.

A conversão entre normas não deve ser tratada como uma igualdade universal. Cada sistema usa tamanhos de partículas, unidades, faixas e métodos de contagem diferentes. Por isso, a planilha complementar deve ser usada como referência de triagem e comunicação. Para liberar um equipamento, aceitar um lote ou definir uma meta crítica, confirme sempre o método exigido pelo fabricante do equipamento, pelo cliente ou pelo laboratório.

Regra de ouro: uma tabela de comparação orienta a investigação; o laudo emitido no método solicitado sustenta a decisão técnica.

O que você encontrará aqui

Ao longo do ebook, você verá as diferenças entre os três padrões, exemplos de interpretação, uma tabela orientativa, um roteiro para solicitar uma análise e recomendações para especificar filtragem sem confundir código de limpeza com desempenho do filtro.

O que você recebe ao baixar a planilha

A planilha complementar organiza as faixas ISO 4406, as classes NAS 1638, a estrutura de classificação SAE AS4059 e um formulário de registro. Ela também contém avisos para preencher método de ensaio, calibração, unidade, fluido, equipamento e data do laudo.

Preencha seus dados profissionais para receber a planilha de conversão orientativa e conversar com a POC Filtros sobre análise, seleção e melhoria da filtragem do seu sistema.

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Por que a contaminação particulada importa

Partículas sólidas podem acelerar desgaste, bloquear folgas, aumentar o atrito, danificar superfícies e reduzir a confiabilidade de componentes hidráulicos. O impacto depende do tamanho e da quantidade das partículas, da sensibilidade do componente, da pressão, da velocidade, do fluido e do regime de operação.

Em vez de olhar apenas para o aspecto visual do óleo, a equipe de manutenção deve acompanhar dados de contagem de partículas e outros indicadores de condição. Um fluido pode parecer limpo e ainda conter partículas pequenas em concentração suficiente para afetar válvulas, bombas, servoválvulas e componentes de alta precisão.

O código de limpeza é um indicador, não um diagnóstico completo

Um código de limpeza resume uma faixa de contaminação. Ele é útil para acompanhar tendência, comparar amostras e verificar uma meta. Porém, o código não informa sozinho a origem das partículas, o mecanismo de desgaste ou a causa raiz da contaminação.

Para uma decisão robusta, combine o código com histórico de amostragem, análise do fluido, inspeção do sistema, condição do filtro, entrada de contaminantes, intervenções recentes e requisitos do OEM.

ISO 4406: o código de três números

O que significa uma indicação como 18/16/13

A ISO 4406 representa a limpeza do fluido com três números. Eles correspondem às contagens cumulativas de partículas maiores que 4 µm, 6 µm e 14 µm, nessa ordem. A unidade normalmente usada é partículas por mililitro.

Assim, em uma indicação ISO 18/16/13, o primeiro número representa a faixa de partículas maiores que 4 µm, o segundo representa a faixa maior que 6 µm e o terceiro representa a faixa maior que 14 µm. Quanto menor o número, menor é a faixa de partículas permitida naquela classe.

A contagem é cumulativa. Isso significa que “maiores que 4 µm” não equivale a “entre 4 e 6 µm”. A primeira categoria inclui as partículas contadas acima de 4 µm, inclusive as que também aparecem nas categorias acima de 6 µm e acima de 14 µm.

Como ler as faixas ISO 4406

A tabela abaixo resume faixas de contagem por mililitro para os códigos ISO mais usados na comunicação industrial. Os limites devem ser conferidos na edição aplicável da norma e no procedimento do laboratório.

Código ISOContagem maior que o limite inferiorAté o limite superior, por mL
10510
111020
122040
134080
1480160
15160320
16320640
176401.300
181.3002.500
192.5005.000
205.00010.000
2110.00020.000
2220.00040.000
2340.00080.000
2480.000160.000

A lógica das classes é aproximadamente geométrica: ao avançar uma classe, a faixa de partículas se aproxima do dobro. Por isso, uma pequena alteração no código pode representar uma mudança relevante na concentração de partículas.

Exemplo de interpretação

Considere um relatório com ISO 15/14/12. Em uma leitura orientativa, isso indica aproximadamente 160–320 partículas por mL acima de 4 µm, 80–160 partículas por mL acima de 6 µm e 20–40 partículas por mL acima de 14 µm.

Esse resultado não revela sozinho se a contaminação veio do reservatório, do ambiente, de uma intervenção, do desgaste interno ou de uma amostragem inadequada. A tendência ao longo do tempo e os dados brutos são essenciais para interpretar o resultado.

NAS 1638: classificação histórica por faixas de tamanho

Como a NAS 1638 organiza a contaminação

A NAS 1638 foi desenvolvida para comunicar classes de contaminação particulada, especialmente em aplicações aeroespaciais e hidráulicas. O sistema separa as partículas em cinco faixas diferenciais de tamanho: 5–15 µm, 15–25 µm, 25–50 µm, 50–100 µm e acima de 100 µm.

A classe é associada à quantidade de partículas encontrada em cada faixa, geralmente com base em 100 mL de fluido. Em muitos usos, o resultado final corresponde à pior classe observada entre as faixas.

Por que a conversão para ISO não é exata

A ISO 4406 trabalha com três contagens cumulativas por mL. A NAS 1638 trabalha com cinco faixas diferenciais por 100 mL. Como os limites de tamanho, a unidade e o modo de agregação são diferentes, não existe uma conversão matemática exata que sirva para todos os casos.

Além disso, a distribuição de partículas pode mudar conforme o sistema, a eficiência da filtragem, o desgaste, o ponto de coleta e o método de ensaio. Uma classe NAS isolada não contém informação suficiente para reconstruir as três contagens ISO com precisão.

Uso recomendado: trate a NAS 1638 como um requisito histórico ou contratual quando ela estiver especificada, mas peça o laudo no padrão originalmente solicitado. Não transforme uma comparação aproximada em critério automático de aprovação.

SAE AS4059: evolução para aplicações aeroespaciais e hidráulicas

Estrutura do código AS4059

A SAE AS4059 organiza limites de contaminação por classes de tamanho identificadas por letras. Uma forma comum de apresentação é A6/B6/C5/D5/E4/F3. Cada letra representa uma faixa granulométrica e cada número representa o nível máximo permitido naquela faixa.

As revisões da SAE AS4059 e os métodos de calibração associados devem ser verificados antes de comparar um resultado. Fontes técnicas também relacionam a AS4059 Rev E à ISO 11218, mas isso não significa que qualquer resultado de laboratório possa ser convertido sem conhecer o método e a calibração usados.

A importância de informar a calibração

Resultados em micrômetros podem estar associados a distribuições e métodos diferentes. A literatura técnica diferencia, por exemplo, valores em µm associados à distribuição ACFTD de valores em µm(c) associados à distribuição MTD ou ISO Medium Test Dust.

Por essa razão, uma especificação profissional deve registrar o padrão, a edição, a calibração, a unidade, o meio analisado e o laboratório. Sem essas informações, duas tabelas com o mesmo número podem não representar exatamente o mesmo resultado físico.

Exemplo de equivalência específica

Uma fonte técnica apresenta a classe AS4059 4 como equivalente ao código ISO 18/16/13 em um contexto específico de limpeza de combustível. Essa relação pode ser útil como referência de comunicação, mas não deve ser ampliada automaticamente para todos os fluidos hidráulicos, métodos ou edições da norma.

Tabela orientativa de comparação

Como interpretar esta tabela

A tabela a seguir não é uma conversão universal. Ela organiza relações de uso comum para que a equipe identifique qual informação está faltando e determine se precisa solicitar um novo ensaio.

SistemaComo o resultado é formadoTamanho ou faixa de partículaUnidade típicaAplicação da comparação
ISO 4406Três códigos cumulativos>4, >6 e >14 µmPartículas/mLMetas de limpeza, tendência e comunicação industrial
NAS 1638Uma classe baseada na pior faixa5–15, 15–25, 25–50, 50–100 e >100 µmPartículas/100 mLRequisitos históricos, aeroespaciais e documentos legados
SAE AS4059Classes por letras e níveis numéricosFaixas A–F, conforme revisão e calibraçãoConforme método e tabela aplicávelAplicações aeroespaciais, hidráulicas e requisitos de cliente

Comparação rápida de referência

Resultado conhecidoLeitura orientativaLimitação principal
ISO 18/16/13Pode aparecer associado à classe AS4059 4 em uma aplicação específica de combustívelNão generalizar para qualquer fluido ou método
NAS 1638 classe 6Indica uma classe global baseada na pior faixa medidaNão permite reconstruir com precisão os três números ISO
AS4059 A6/B6/C5/D5/E4/F3Mostra níveis por classes de tamanhoÉ necessário conhecer revisão, calibração e definição das faixas

O que a planilha deve registrar

Para evitar interpretações incorretas, preencha os seguintes campos antes de comparar resultados: fluido analisado, equipamento, ponto de amostragem, data e hora, código original, unidade, método de ensaio, calibração, edição da norma, laboratório e requisito do OEM ou cliente.

Como fazer uma conversão responsável

Etapa 1: identifique o documento de origem

Comece pelo laudo, desenho, manual ou especificação de compra. Confirme se o documento pede ISO 4406, NAS 1638, SAE AS4059 ou outro padrão. Verifique também se há uma revisão determinada e se o resultado é para fluido novo, fluido em operação, componente limpo ou sistema completo.

Etapa 2: confirme a base de contagem

Registre se a contagem está expressa em partículas por mL ou por 100 mL. Depois, verifique se as faixas são cumulativas ou diferenciais. Essa distinção é fundamental: dividir ou multiplicar um resultado sem entender a base pode criar uma comparação enganosa.

Etapa 3: confira tamanho e calibração

Confirme os limiares de tamanho e a calibração do contador. Não compare automaticamente uma contagem em µm com outra em µm(c). Quando o laudo não informa o método, solicite esclarecimento ao laboratório.

Etapa 4: compare apenas para triagem

Use a planilha para criar uma hipótese de equivalência e identificar diferenças. Se o resultado estiver perto do limite, repita a amostragem ou solicite o ensaio no padrão original. Quanto mais crítica for a aplicação, menor deve ser a tolerância para usar aproximações.

Etapa 5: decida com contexto operacional

Relacione a contagem de partículas com o tipo de componente, a pressão, a temperatura, o histórico do filtro, a tendência do resultado e a causa provável da entrada de contaminantes. A escolha da filtragem deve considerar também vazão, viscosidade, compatibilidade, queda de pressão, eficiência, capacidade de retenção e manutenção.

Erros frequentes na interpretação

Confundir contagem cumulativa com faixa diferencial

“Maior que 6 µm” inclui partículas acima de 14 µm. Já a faixa NAS 15–25 µm exclui partículas maiores que 25 µm. São conceitos diferentes e não devem ser tratados como equivalentes diretos.

Converter partículas por 100 mL em partículas por mL sem validar o método

Uma conversão de volume pode parecer simples, mas o resultado ainda depende do procedimento de ensaio, da preparação da amostra, da representatividade do frasco e da qualidade da contagem. A unidade não é o único fator que muda entre os padrões.

Usar o código sem consultar o dado bruto

Dois resultados com o mesmo código podem estar em posições diferentes dentro da faixa. A análise dos valores brutos ajuda a perceber tendência e aproximação de um limite antes que o código mude.

Escolher o filtro somente pelo código

O código de limpeza ajuda a definir o objetivo, mas não substitui o dimensionamento do filtro. O projeto deve considerar vazão, pressão, viscosidade, temperatura, compatibilidade química, material filtrante, beta ratio, capacidade de retenção, indicador de saturação e disponibilidade do elemento.

Ignorar a qualidade da amostragem

A amostra deve representar o estado real do sistema. Ponto inadequado, frasco contaminado, limpeza insuficiente, armazenamento prolongado ou coleta após uma intervenção podem distorcer o resultado.

Checklist para solicitar uma avaliação de filtragem

Informações técnicas necessárias

Antes de pedir uma recomendação, reúna o tipo de fluido, viscosidade, temperatura de operação, vazão, pressão, volume do reservatório, componente protegido, código de limpeza desejado, código atual, tipo e dimensão do filtro, histórico de troca, diferencial de pressão e resultado da análise de partículas.

Também informe se o requisito é do fabricante do equipamento, de uma norma interna, de um cliente ou de uma auditoria. Essa origem define o grau de rastreabilidade necessário e o padrão que deve aparecer no laudo.

Perguntas que aceleram o diagnóstico

PerguntaPor que ela importa
Qual é o fluido e qual a viscosidade na operação?Define compatibilidade, perda de carga e desempenho do elemento
Onde a amostra foi coletada?Indica se o resultado representa o reservatório, a linha ou o retorno
Qual código e qual norma foram solicitados?Evita comparar padrões diferentes como se fossem iguais
Qual é a vazão e a pressão?Orienta o dimensionamento do conjunto filtrante
Há histórico de troca de elementos?Ajuda a identificar saturação, bypass ou subdimensionamento
O equipamento tem componentes sensíveis?Ajuda a definir o nível de limpeza e o risco operacional

Como a POC Filtros pode ajudar

Da leitura do laudo à especificação do filtro

A POC Filtros pode apoiar sua equipe na interpretação do código de contaminação, na organização das informações do sistema e na seleção de soluções de filtragem compatíveis com a aplicação. O trabalho começa pela compreensão do requisito e termina com uma recomendação que considera desempenho, confiabilidade e manutenção.

Solicite uma avaliação técnica

Envie seu laudo, a especificação do equipamento ou os dados do sistema. Informe o código atual, o código desejado e a norma de referência. Com essas informações, a equipe consegue avaliar se a comparação é válida, quais dados precisam ser confirmados e quais alternativas de filtragem merecem ser estudadas.

Quer reduzir a incerteza na escolha do filtro? Fale com a POC Filtros e solicite uma avaliação técnica do seu sistema.

Conclusão

ISO 4406, NAS 1638 e SAE AS4059 ajudam a comunicar a limpeza de fluidos, mas não descrevem exatamente o mesmo fenômeno da mesma maneira. A ISO 4406 usa três contagens cumulativas por mL. A NAS 1638 usa cinco faixas diferenciais por 100 mL. A SAE AS4059 usa classes por tamanho e nível, com dependência de revisão e calibração.

A melhor prática é usar a planilha para organizar dados, localizar diferenças e fazer uma comparação inicial. Para decisões críticas, confirme o método original, verifique a calibração e combine o código com o histórico operacional e a qualidade da amostragem.

Baixe a planilha complementar e use o checklist para preparar uma conversa técnica com a POC Filtros.

Nota metodológica e de responsabilidade

Este ebook é um material educacional e comercial para apoiar a comunicação técnica. As tabelas são orientativas e não substituem a norma oficial, o laudo do laboratório, o manual do fabricante ou a validação de um profissional qualificado. Antes de liberar um equipamento, aceitar um lote ou alterar uma especificação, confirme a edição aplicável, o método de ensaio e os critérios do responsável técnico

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